Os smart contracts, contratos digitais programáveis, possibilitam a execução automática de um código predefinido. Essa ideia foi proposta pelo cientista da computação norte-americano Nick Szabo em 1994. Szabo, posteriormente, desenvolveu uma moeda virtual denominada Bit Gold, quatro anos depois.
Naquela época, a tecnologia ainda não estava pronta, e tanto os contratos digitais programáveis quanto a moeda virtual foram deixados de lado. No entanto, quando o Bitcoin foi anunciado no final de 2008, essa barreira tecnológica foi superada. Em pouco tempo, surgiram aplicações completamente digitais e autônomas para a execução desses códigos que compõem os smart contracts.
O que são os SMART CONTRACTS?
Os smart contracts são essencialmente códigos programáveis que podem ser executados em sistemas computacionais. O que os torna distintos dos programas convencionais é sua habilidade de se autoexecutarem autonomamente, sem a necessidade de intervenção humana.
Embora sejam autônomos, seria imprudente afirmar que esses contratos são inteligentes, já que sua eficácia depende exclusivamente da competência de quem os criou. Não há nenhum tipo de inteligência artificial ou mecanismo intrínseco para garantir que o código desses smart contracts esteja isento de falhas.
Como funcionam os SMART CONTRACTS?
Quando se trata de smart contracts, a rede blockchain do Bitcoin optou por manter uma única camada de informações, o que limita suas possibilidades. No entanto, o Bitcoin oferece suporte nativo às carteiras multi-assinatura (MultiSig), que exigem várias autorizações para movimentar as moedas.
Por outro lado, o Ethereum surgiu como um protocolo construído sobre uma blockchain com o objetivo claro de executar smart contracts, os contratos digitais programáveis. Para alcançar esse propósito, foram adicionadas camadas adicionais de informações, permitindo a execução de serviços descentralizados.
É importante ressaltar que esses smart contracts são armazenados na própria rede, aproveitando os nós (nodes) responsáveis por armazenar dados e validar transações. Com isso, torna-se impossível impedir ou censurar as instruções contidas nesses contratos.
Simplificando processos: Desvendando o poder da tecnologia blockchain e smart contracts
Como mencionado anteriormente, a tecnologia por trás dos smart contracts não é nova e se assemelha a programas de computador convencionais. No entanto, foi com o advento do blockchain que esse mercado realmente ganhou impulso, sendo o pilar fundamental por trás da criação do Bitcoin.
É crucial compreender que a existência de um contrato digital programável (smart contract) requer uma rede descentralizada. Caso contrário, uma única entidade ou grupo com controle sobre computadores e servidores poderia simplesmente alterar o código-fonte.
Foi nesse contexto que a blockchain do Ethereum (ETH) se destacou, despertando a imaginação dos desenvolvedores. Inicialmente utilizado para ofertas públicas de criptoativos (ICO), ao longo do tempo, evoluiu para aplicações mais complexas e abrangentes, desbloqueando um potencial transformador.
O uso de aplicações descentralizadas (dApp) e smart contracts
Um dApp, ou aplicativo descentralizado, é um programa que opera exclusivamente através de smart contracts. No entanto, para utilizar esses dApps, é necessário integrá-los às carteiras de criptoativos dos usuários.
Dessa forma, podemos encontrar dApps voltados para diversas áreas, como aplicativos financeiros, exchanges, redes sociais, marketplaces (plataformas de negociação), jogos e muito mais. Vale ressaltar que o registro e a execução desses dApps em redes descentralizadas têm um custo associado. Por consequência, as aplicações descentralizadas estão intrinsecamente ligadas às criptomoedas.
Finanças descentralizadas (DeFi) e smart contracts
Os smart contracts, contratos digitais programáveis, podem ser considerados aplicativos financeiros descentralizados (DeFi) quando envolvem transações monetárias. Um exemplo comum é o uso de criptoativos como garantia em empréstimos.
Além disso, as exchanges descentralizadas (DEX) estão ganhando popularidade, permitindo que os usuários troquem criptomoedas sem depender de uma entidade centralizada. Nessas trocas, não há envolvimento de moedas fiduciárias, mas os smart contracts possibilitam a realização de negociações automáticas, sem a necessidade de intervenção humana.
Essas inovações estão revolucionando a maneira como as finanças funcionam, proporcionando transações mais rápidas, transparentes e autônomas. É empolgante observar as possibilidades que surgem desse cenário, abrindo caminho para um futuro financeiro descentralizado.
Empresas autônomas descentralizadas (DAO) e smart contracts
Uma nova onda de inovação surgiu com a utilização dos smart contracts, semelhante às várias tentativas de criar uma DAO, uma organização autônoma descentralizada.
Esses novos protocolos têm como objetivo automatizar as operações de arbitragem nas exchanges descentralizadas (DEX) e nas aplicações financeiras descentralizadas (DeFi). A arbitragem busca aproveitar as distorções nas cotações ou nas taxas de empréstimo.
Esses protocolos se tornaram extremamente populares, oferecendo altos retornos para os investidores, porém, também apresentam um nível de risco significativo. Grande parte dessa preocupação surge devido à dificuldade em auditar esses smart contracts. Infelizmente, temos testemunhado inúmeros casos de golpes e falhas no desenvolvimento, que permitiram que invasores drenassem os fundos, resultando em grandes prejuízos para os investidores.
Protocolos DeFi e a geração de dinheiro
Primeiramente, é essencial criar um “pool“, uma combinação de criptomoedas financiada por investidores. O protocolo de finanças descentralizadas assume a responsabilidade de buscar dApps que oferecem recompensas pelo staking ou depósito a prazo.
Entre os dApps mais renomados e influentes, destacam-se as plataformas de empréstimos colateralizados, como MakerDAO (MKR), Aave (LEND) e Compound (COMP). No entanto, não podemos deixar de mencionar as aplicações de derivativos sintéticos, como Synthetix (SNX), e as já mencionadas exchanges descentralizadas (DEX).
Falando em DEX vale ressaltar também o enorme crescimento do protocolo Uniswap (UNI) e a sua crescente utilização de “pools” como “market maker” (formador de mercado), resultando em altos rendimentos através das taxas que são coletadas.
Estamos diante de um ecossistema em constante evolução, onde essas soluções inovadoras desempenham um papel crucial na democratização das finanças. O objetivo é proporcionar aos usuários a oportunidade de aproveitar ao máximo suas criptomoedas, maximizando os retornos e explorando novas possibilidades financeiras.
Tokens de governança
Por fim, mas igualmente importante, temos os criptoativos de governança. É interessante observar que a maioria dos protocolos DeFi que buscam investimentos automatizados possui seu próprio token. Esses tokens proporcionam uma série de benefícios aos detentores, desde o direito de voto em eventuais mudanças do protocolo até mesmo a participação nos ganhos gerados pelo sistema.
Resumidamente, estamos vivenciando um verdadeiro “boom” nesse novo mercado devido ao seu crescimento acelerado e às operações altamente lucrativas nas aplicações descentralizadas de finanças (DeFi).
Nesse cenário empolgante, é fundamental buscar informações e orientações adequadas para tomar decisões conscientes e mitigar os possíveis riscos. A educação e a compreensão dos princípios subjacentes ao DeFi são essenciais para aproveitar ao máximo as oportunidades e potencialidades desse novo paradigma financeiro.